Tragédia familiar – A vida do autor das Tragédias Cariocas

domingo, 30 maio 2010

“Se a vida não o faz sofrer, é preciso que o artista invente o próprio sofrimento.” (Nelson Rodrigues)

De não ter tido uma vida realmente sofrida, Nelson não pode reclamar de absolutamente nada.

Quinto filho dos quatorze tidos por D. Maria Esther Falcão e o conceituado jornalista Mário Rodrigues, desde criança Nelson aprendeu a se acostumar à pobreza e à dureza de uma vida que, de doce e pura, nada tinha.

Foi obrigado a migrar de sua cidade-natal, Recife, para a então capital do país, o Rio de Janeiro e, com esse gesto de seus pais, “tornou-se carioca”.

Foram morar no suburbano bairro de Aldeia Campista, na famosa Rua Alegre. Lá, Nelson teve o primeiro contato com aqueles personagens incríveis que nunca mais largariam sua obra e seus pensamentos: a adúltera que gosta de apanhar; a mulher gorda e cheia de varizes que se põe à janela e não se cansa de espiar e fofocar sobre a vida dos vizinhos; o marido banana; o casal de jovens enamorados suicidas; a viúva alegre; a senhora honestíssima e cheia de virtudes; o noivo canalha, que agarra a cunhada; etc., etc.

No entanto, a vida de Nelson não foi marcada apenas pelos alegres e extrovertidos estereótipos de sua infância. Mesclado a estes, sua vida também foi marcada por tragédias que facilmente comporiam suas futuras peças teatrais: assistiu ao assassinato do irmão (provocado por uma senhora da alta sociedade que se sentiu ultrajada por ter a notícia de seu desquite – e do possível motivo deste – estampada na primeira página do jornal da família Rodrigues) e, logo em seguida, à decadência e morte do pai, que faleceu carregando o eterno remorso pelo assassinato do filho (já que a bala disparada pelo revólver daquela mulher seria, na verdade, para ele).

Logo em seguida, os Rodrigues passaram por novas e não menos densas crises: o “empastelamento” do jornal da família executado a mando da ditadura do Estado Novo, de Getúlio Vargas; a fome, que passou a ser visita frequente em seu lar; a tuberculose de Nelson e de seu irmão Joffre, levando este a consequência bem mais trágica: a morte.

Com o passar dos anos, no entanto, já casado e tendo uma nova família para sustentar, Nelson (jornalista que vivia na pindaíba) passa casualmente em frente ao Teatro Rival, na Cinelândia – em cartaz a peça “A família Lero-lero”, de Raymundo Magalhães Jr. -, e ouve alguém comentar que “aquela chanchada estava rendendo os tubos!”

Decide, então, escrever teatro. E por que não? Qualquer um seria capaz de escrever uma comediota que seria interpretada por um dos grandes deuses do teatro carioca na época: Procópio Ferreira, Jaime Costa ou Dulcina de Morais.

Começa a datilografar, então, “A mulher sem pecado”. Porém, logo nas primeiras páginas, percebe que, de chanchada, aquela peça não tinha nada. “A história daquele marido paralítico e ciumento adquirira uma tintura dramática que ele [o próprio Nelson] não previra”, como nos conta Ruy Castro na biografia “O anjo pornográfico: A vida de Nelson Rodrigues”.

Inicia-se aí, então, o ciclo de peças e escritos literários que consagrariam, para sempre, o nome de Nelson no rol dos maiores escritores e dramaturgos nacionais.

Estes e outros “causos” de sua vida serão, portanto, o principal ponto a ser debatido no nosso próximo Encontro Literário, que acontecerá no:

Dia 02/06 (quarta-feira), às nove horas da manhã, no Laboratório de Línguas do Instituto Federal Fluminense Campus Macaé,

Com o tema:

“Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico”: A vida de Nelson Rodrigues

O aluno do IFF Campus Macaé interessado em participar deverá procurar pelo aluno Paulo Cesar (turma 3001-B). O número de vagas é limitado.

A vida de Nelson Rodrigues é, de fato, tão intrigante e devastadora quanto sua obra e discuti-la será um passo fundamental para a compreensão e melhor interpretação dos textos que serão lidos e debatidos nos próximos Encontros.

Não perca!

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